Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11) em Belo Horizonte     aponta os principais desafios para a educação do ensino médio no Brasil, onde cerca de 1,7 milhão de adolescentes de 15 a 17 anos ainda está fora da escola. A publicação foi elaborada pelo Observatório da Juventude da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

De acordo com o estudo, os principais fatores apontados pelos jovens para justificar o abandono dos estudos são violência familiar e no entorno da escola, gravidez precoce e trabalho. Fatores como organização e infraestrutura da escola, falta de diálogo entre alunos e professores e desmotivação dos educadores também foram apontados.
Mário Volp, da Unicef, e Juarez Dayrell, professor da UFMG, são os responsáveis pelo estudo sobre o ensino médio.

Para Mário Volpi, coordenador do programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef, o país conquistou muitos avanços no ensino médio, mas é necessário acelerar o processo para garantir a qualidade do ensino. “Os indicadores de acesso e permanência evoluíram, mas se caminharmos com as mesmas estratégias, só vamos conseguir universalizar o ensino médio em 30 anos”, pondera. Ainda de acordo com o coordenador, é necessário apoio do Ministério da Educação, para que o estudo seja aplicado à realidade das escolas e ela se torne positiva, com 100% dos adolescentes regulares no ensino médio.

Segundo o professor da UFMG responsável pelo projeto, Juarez Dayrell, os principais desafios apontados na pesquisa são: ampliar os investimentos, melhorar o fluxo escolar, mudar a organização e o currículo, valorizar o professor, lidar com os adolescentes retidos no ensino fundamental e trazer de volta para a escola os alunos excluídos do ensino médio.

Os parlamentares juvenis do Mercosul Mateus Meireles, do Amapá, e Joyce Cristina Moraes, do Pará, de 16 anos, acreditam que o principal ponto de atenção nos desafios apresentados no relatório é o relacionamento entre professor e aluno. “Existem muitos desafios a serem vencidos e o principal deles é a relação entre educador e educando. Quando há uma troca de vivências e diálogo respeitoso, nós passamos a gostar mais das aulas e aprendemos com muito mais facilidade”, ressaltam.

O relatório, “10 Desafios do Ensino Médio no Brasil”, traz análises e levantamentos extraídos de pesquisa realizada com 250 adolescentes que estão fora da escola ou em risco de abandoná-la. Grupos de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Belém (PA), Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Santana do Riacho (MG) foram entrevistados entre outubro e dezembro de 2012, e maio e novembro de 2013.

Adolescentes fora da escola
Do total de brasileiros com idade de 15 a 17 anos que estão fora da escola, a maioria está na Região Sudeste, com aproximadamente 610 mil (sempre com espaços) adolescentes nessa condição. Em seguida está a Região Nordeste, com mais de 556 mil. O menor número foi registrado na Região Centro-Oeste, onde cerca de 112 mil jovens abandonaram os estudos. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) de 2011, o número de adolescentes de 15 a 17 aos analfabetos é maior do que o da população da mesma faixa etária que nunca frequentou escola. Mais de 142 mil jovens estão nessas condição, segundo o Pnad.

Tábata Poline – G1 – 11/03/2015