Cinquenta e quatro estudantes do 3º ano do Setor Leste, escola do Plano Piloto em Brasília (DF), foram aprovados no PAS, da UnB. Um deles passou para o curso mais concorrido, o de medicina

A última sexta-feira foi de festa para estudantes do 3º ano do Centro de Ensino Médio Setor Leste. Cinquenta e quatro deles foram aprovados no Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB). Um dos calouros passou para o curso mais concorrido da instituição de ensino superior, o de medicina. Ele foi o segundo aluno da escola da rede pública do Distrito Federal, localizada no Plano Piloto, a ser classificado para essa graduação.

Em clima de festa, quase metade deles se reuniu ontem no colégio e recebeu os cumprimentos de colegas, funcionários e professores. David da Silva Nunes, 18 anos, o calouro de medicina, conta que estava confiante na aprovação, mas que o alívio só veio depois de ver o nome escrito no mural de aprovados, no câmpus Darcy Ribeiro. “Eu queria fazer a diferença na vida das pessoas de algum modo, por isso escolhi a medicina”, relata.

Ele e a colega Thaís Cardoso Pereira, 18, que passou para ciência política, fizeram os cursos gratuitos do Vestibular Cidadão e do Galt, que ajudaram na preparação puxada. Os dois saíam de casa cedo, por volta das 6h, e só voltavam depois das 23h. Thaís usava até o tempo livre dentro do ônibus para estudar. “A gente lutou muito, e deu certo”, comemora. Já Júlia Pereira Salvino, 18, aprovada para agronomia, precisou conciliar os estudos com o trabalho nos fins de semana. Ela acredita que as atividades desenvolvidas pelo colégio contribuíram para o resultado. “O Setor Leste é uma escola muito voltada para o PAS”, destaca.

“Tinha semanas em que eu não via a minha mãe. Eu saía cedo, antes de ela acordar, e chegava quando ela já estava dormindo”, afirma Francisco Vladimir Oliveira Almeida, 18, aprovado para o curso de música. “Lá em casa, ninguém da minha família nunca passou no vestibular da UnB. Só agora é que a minha geração, eu e meus primos, conseguimos. Por isso, a aprovação tem um significado muito grande também”, completa.

Agora, os aprovados esperam se tornar exemplos para os estudantes que farão a prova este ano. “Nós nos tornamos um espelho. Eu mesmo não acreditava muito que conseguiria passar na universidade. Quem me fez acreditar foi um amigo meu, que foi aprovado no ano passado. Isso me motivou muito”, conta Francisco.

Outro desejo compartilhado por todos é o de que o governo dê mais atenção à educação. No ano passado, além da greve de professores de quase um mês, eles enfrentaram o atraso na entrega dos livros didáticos. “Espero que o governo dê mais atenção aos alunos de escola pública, até porque o lema do mandato da presidente Dilma é ‘pátria educadora’”, observa David.

Ele, que também é o primeiro da família a conseguir uma vaga na UnB, deseja que, no futuro, mais alunos de escolas públicas consigam seguir o mesmo caminho e não precisem necessariamente recorrer a cursos em instituições privadas, como ele percebe que tem ocorrido com frequência. “As pessoas estudam na rede pública para, depois, ir para uma faculdade particular. Essa é uma realidade que precisa mudar.”

“Independentemente de você estudar em escola pública ou particular, você consegue”, reforça Thaís. Para Francisco, que também foi presidente do grêmio no ano passado, a participação dos alunos nas manifestações do movimento estudantil — como os protestos pela volta da isenção da taxa de inscrição do PAS e o apoio aos estudantes que ocuparam escolas em São Paulo — também foi importante. “Acho que a nossa luta pela valorização da educação também influenciou nesses bons resultados. A gente fica com mais vontade de que as coisas deem certo”, diz.

Orgulho

Os pais não escondem o orgulho com a conquista dos estudantes. O filho caçula de Maria de Nazaré Freitas Paiva, 42 anos, foi o último dos quatro a garantir uma vaga na UnB. “Fiquei muito feliz e emocionada”, relata. Daniel Paiva, 17, foi aprovado para engenharia elétrica. Denise, 25, e José, 23, estão formados em letras e em contabilidade pela instituição. Mateus, 19, cursa química. Todos foram alunos do Setor Leste.

Na avaliação da vice-diretora, Amanda Oliveira Batista, o sucesso tem relação com o trabalho conjunto entre a equipe de professores e demais servidores do colégio, que tinha aproximadamente 350 alunos matriculados no 3° ano do ensino médio no ano passado. “Temos professores muito comprometidos com o desempenho pedagógico do aluno. Eles trabalham com os conteúdos voltados para o PAS desde o 1º ano do ensino médio”, afirma.

Fonte: Correio Braziliense, 12/01/2016

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