Desde o ano de 2012, as escolas públicas estão autorizadas a oferecer a alunos com deficiência auditiva o ensino bilíngue, somando a língua de sinais brasileira (Libras) e o português escrito. Em Canoas (RS), desde 2014, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Vitória, no bairro Mathias Velho, oferece essa modalidade de ensino para pessoas com essa deficiência – no Rio Grande do Sul, a primeira escola pública bilíngue para surdos foi a Salomão Watnick, de Porto Alegre.

Para adaptar-se a esta realidade, as escolas precisaram mudar os seus projetos pedagógicos e as suas práticas de ensino. Foi assim que surgiu o projeto “Soletrando com as Mãos”, idealizado pela professora de geografia Carmen Pereira. A professora idealizou um jogo que é realizado em três etapas, durante o ano. Cada turma recebe uma palavra, e escolhe um representante que irá soletrar esta palavra. Essa palavra é soletrada com as mãos para um grupo de jurados, em até dois minutos.

– Eu lembrei dos jogos de soletrar da minha infância, que eram apresentados pelo J. Silvestre, muitos anos antes do Soletrando da Globo – afirma a professora de Geografia Carmen Pereira, 55 anos.

– Era uma brincadeira que motivava muito as crianças. Resolvemos adaptar isso à realidade da nossa escola. No primeiro ano foi um sucesso, os alunos menores quiseram muito participar, deram “um banho” nos maiores.

O Soletrando com as Mãos acontece há três anos na escola, e o projeto dura todo o ano letivo. No início do ano, são definidas as datas para as competições, e que normalmente acontecem nas semanas de retomada de aprendizagem (a antiga recuperação) dos trimestres. Os professores de todas as disciplinas levam os conceitos que serão aplicados e soletrados pelos alunos em língua de sinais, por datilologia.

A competição é sempre realizada com pelo menos um jurado surdo, para tirar as dúvidas dos professores ouvintes, além de estagiários com deficiência auditiva e professores de Libras. Cada turma escolhe um representante, a palavra é sorteada e os competidores têm até dois minutos para soletrar – se não conseguir, a palavra volta para o sorteio. Embora a competição tenha vencedores, todos os alunos que participam ganham medalhas.

– Esse projeto movimenta todo o grupo de professores e alunos das mais variadas idades. Essa interação é o mais importante. Na língua de sinais, as regras gramaticais são espaciais, diferente do português formal. Para eles, a língua é visual, o que dificulta a apreensão do significado da língua portuguesa escrita – afirma Carmen, observando que o projeto pode facilitar a inclusão também em outras escolas. – É simples de realizar, não dá despesas em excesso e valoriza o cotidiano do aluno, e motiva pela superação – conclui.

O QUE É: Soletrando Com As Mãos
IDEALIZADORA: Carmen Cristina Pereira
ONDE É PRATICADA: em Canoas, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Bilíngue Vitória
QUANDO COMEÇOU: em 2014.
ÁREAS DE ATUAÇÃO: Ensino Fundamental e EJA
DISCIPLINAS TRABALHADAS: todas.

 

Fonte:ClipRBS/jan2018

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