Por que não trabalhar com artistas locais nas aulas de educação artística? Inspire-se na professora Alessandra de Oliveira, da escola pública CEI100 – Escola municipal Professora Ana Cecilia Falcato Prado Fontes, do bairro Habiteto, em Sorocaba (SP). Ela entrou em contato com o artista plástico Carlos José Gomes (Casé), também de Sorocaba, para pedir autorização para trabalhar as obras dele com alunos, em sala de aula. O artista, sensibilizado, decidiu visitar os alunos, que o receberam com uma linda homenagem. Leia a seguir o depoimento de Thayná Gomes (no twitter, @gomestth), filha do  Casé, sobre esse encontro.

“Vou contar uma coisa que acabou de acontecer comigo e com o meu pai, que eu acho que todo mundo tem que ficar sabendo. Há 5 meses atrás, uma professora do ensino fundamental [Alessandra Oliveira] do Habiteto (um bairro da zona norte daqui de Sorocaba) entrou em contato com o meu pai dizendo que ela tinha pego algumas obras do Facebook dele pra fazer uma releitura com as crianças do segundo ano.

Meu pai ficou apaixonado pela iniciativa da professora que disponibilizou as melhores pinturas pra professora utilizar em sala de aula. Ela disse que não queria fazer a releitura de um artista como o Van Gogh porque existiam muitos artistas daqui de Sorocaba que mereciam ter mais reconhecimento. E trabalhou com as crianças ao longo desses meses pra presentear meu pai com uma linda homenagem.

Por ser uma região precária, onde as pessoas tem medo/descaso, eles não tem acesso ao básico (a professora disse que esses dias ela levou umas caixas de morango e tinham crianças que nunca haviam comido um morango). A professora ficou encantada com o retorno positivo do meu pai.

professora_alessandra01 Hoje (12/11/2018) foi o dia da homenagem e eu fui com ele pra ajudar a distribuir os presentinhos que meu pai junto à uma amiga fizeram pras crianças (uma caixa de tinta acrílica com as 5 cores primárias e dois pincéis). Depois de cantarem, algumas crianças fizeram uma fila pra abraçar e falar com o meu pai, e teve uma menininha que veio falar pra professora assim “Tia, quando ele me abraçou, eu não conseguia respirar de tão feliz” e gente, os rostinhos deles, a felicidade, sério!

A professora disse que o CRAS [Centro de Referência de Assistência Social] tem um curso de desenho, mas a fila é imensa, então ela QUER garantir a vaga dela ali, porque sente que tem um propósito.

Muitas das crianças quando ela entrou, dizia que quando crescesse, queria ser caixa, queria trabalhar no movimento (tudo relacionado ao tráfico) e ela fazia questão de ensinar que ali, eles eram crianças como qualquer uma, e que tinham que ser engenheiros, médicos, advogados e mano, elas merecem esse reconhecimento. São crianças que merecem tudo de bom e do melhor do mundo COMO QUALQUER OUTRA CRIANÇA. E, se eu pudesse, eu faria tudo de novo outra vez, porque elas precisam desse amor, dessa atenção. E o que eu queria dizer pra vocês é que FAZ BEM, e é NECESSÁRIO olhar por outra perspectiva que não seja a do seu umbigo. A situação do país é decadente, o ensino é decadente, mas elas MERECEM UMA CHANCE.

E é isso, espero que essa história tenha deixado o coração de vocês quentinho como deixou o meu. Todo mundo merece uma chance, e as vezes é preciso sairmos da nossa bolha e entrarmos na bolha do colega pra entender a realidade em que ele foi criado/vive! Obrigada!”

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