Foto: Fernando Evans – G1

Docentes de 16 estados e do DF fizeram uma imersão no Centro Nacional de Pesquisas de Energias e Materiais, em Campinas (SP), para levar ideias às salas de aula de ciências.

Escolas sem infraestrutura, ausência de laboratórios, falta de energia e pouco interesse dos alunos. A lista de problemas é extensa e comum a realidade de vários professores da rede pública que tiveram a chance de conhecer de perto estruturas científicas que só tinham visto em filmes. Por uma semana, docentes de 16 estados e do Distrito Federal fizeram uma imersão no Centro Nacional de Pesquisas de Energias e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), com o objetivo de levar ideias da física moderna às salas de aula onde atuam.

“Isso aqui é um grande incentivador para que os professores continuem na luta pela educação, nossa bandeira é educação. Venho de um estado isolado, onde não tem energia (…). Isso aqui para meus alunos e professores é um grande presente”, afirma Dulce Andréa Uchôa de Oliveira, de Boa Vista (RR).

Dulce e 20 colegas foram selecionados para a 1ª Escola de Síncrotron para Professores do Ensino Médio (1ª ESPEM), organizado pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) em conjunto com a Sociedade Brasileira de Física (SBF).

Entre os dias 14 e 18 de janeiro, os docentes realizaram aulas expositivas, demonstrações experimentais, discussões com pesquisadores e visitas aos laboratórios nacionais do CNPEM, entre eles o Sirius, nova fonte de luz síncrotron que compõe a maior estrutura científica do Brasil.

“Você encontra pessoas de outras regiões que compartilham das mesmas experiências que você tem em sala de aula, e encontra laboratórios de alta tecnologia que a gente só vê em filmes. Eu não tenho laboratório na minha escola. O que eu frequentei na minha vida foi só o de física, e não chega nem perto do que a gente vê aqui”, conta Eloídes de Sousa Melo, professora do ensino médio em Manaus (AM).

Cativar os alunos

Para Dadson Luis Ferreira Leite, que atua na rede pública de ensino em São Luís (MA), a oportunidade de ver e aprender física moderna vai ajudá-lo a cativar os estudantes.

“O que afasta muito os alunos dessa área é não conseguir ver a ciência acontecer dentro das escolas. O trabalho que é desenvolvido aqui, e tudo que estamos fazendo durante a semana, vamos ter a oportunidade de difiundir, mostrar para nossos alunos, que pode-se fazer ciência no Brasil”, defende.

Segundo Frantchesco Romário de Alencar, de Chapada dos Guimarães (MT), o conhecimento que será transmito em aula após as visitas irão ajudar os alunos a enxergar melhor o mundo.

“Venho de uma cidade pequena e muitos dos meus alunos jamais saíram da cidade, muitos nem foram à capital. Mostrar para eles o que é feito aqui servirá para explicar que há um mundo a ser explorado”, diz Alencar.

Representante do Acre no evento, o professor Cleiton Assis, que dá aulas de física em Rio Branco, conta que nem ele, que realizou mestrado na área de nanotecnologia, tinha ideia da estrutura existente no CNPEM para pesquisa.

“Minha tarefa é criar uma apresentação e não levar somente para os alunos ou aqueles que estão querendo ingressar na ciência, na pesquisa, mas também para os pesquisadores de lá, colegas, porque eu acredito eles não conheçam esse centro de pesquisa. Eu não conhecia.”

‘Vale a pena’

Professora na cidade de Arraias (TO), Elisângela Gonçalves Taveira espera que o aprendizado obtido durante o projeto ajude a cativar os estudantes, já que o atual cenário dos alunos em sua cidade é desmotivante.

“Ciência eles não têm engajamento porque não têm estrutura, incentivo. É um projeto de formiguinha. Se nós fizemos nossa parte e introduzirmos na cabeça deles, mostrar que o projeto vale a pena, e falar que a ciência, que a pesquisa faz parte do projeto de vida, vale a pena.”

(Portal G1 Campinas, 20/01/2019)

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