Atividade física na educação escolar é fundamental e esse componente curricular não pode faltar na língua de sinais brasileira (Libras). Pois criança e jovens aprendem a trabalhar corpo, mente e espirito. É visando essa responsabilidade com aluno que a Secretária de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (SEDUC) desenvolve um trabalho específico em 27 escolas para atender deficientes auditivos. Como exemplo destes trabalhos, a Escola Estadual Augusto Carneiro dos Santos hoje localizada avenida Lourenço da Silva Braga, 155, Centro, através dos professores desenvolveu um Glossário de Libras de Educação Física que atende estudantes do 6° ano 9° do Ensino Fundamental e ensinam a teoria e pratica durante as atividades.

Na perspectiva inclusiva todas as escolas da rede estadual estão aptas a atender alunos com deficiência auditiva, mas a escola Augusto Carneiro dos Santos trabalha apenas com alunos surdos. A professora de educação física com especialização em Educação Especial e Surdos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que trabalha à 35 na instituição, Maria das Graças Fonseca Amorim, conta quando começou a lecionar e diz como contribuiu para o glossário de libras.

“Alguns dos sinais foram criados por mim e pelo professor Edson, que já está aposentado. Muitos dos sinais já tinham, o que precisava colocar no papel, finalizar e gravar para poder ajudar outras pessoas”. E continua falando sobre o intuito do trabalho: “O que queríamos com as gravações era regionalizar os sinais, pelo menos para o Amazonas”, comenta a educadora.

A ideia de executar o Glossário de Educação Física em Libras foi do professor Keega Bezerra Ponce, em julho de 2016, por meio do Programa Ciência na Escola (PCE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam). Ele já trabalhou na Escola Augusto Carneiro e hoje leciona na Escola Estadual Carvalho Leal, e continua desenvolvendo a segunda fase do projeto por amor à escola Augusto Carneiro.

Logo no início houveram muitos obstáculos, que serviram para o amadurecimento e crescimento do projeto. “A questão do material para filmagem foi uma dificuldade, pois para fazer um bom trabalho precisaríamos de uma boa câmera, um bom suporte para fazer uma edição de imagem de qualidade, e no início fizemos com as gravações e edição pelo celular”. Foi quando o professor veio à SEDUC para produzir o vídeo com o auxílio do Centro de Mídias do Amazonas (Cemeam).

E foi por meio do Cemeam que o professor pode mostrar seu trabalho para outras escolas da rede, conforme o vídeo que está disponível na plataforma do programa Saber Mais, no link: https://drive.google.com/file/d/0B8OF_uUdlMU3VEV4S2Q4VTV4dms/view.

Segundo o professor Keega, o PCE, fomenta projetos nas escolas estaduais e municipais de iniciação científica com professores e alunos que estão nos ensinos Fundamental e Médio, promovido pela Fapeam, e tendo a SEDUC como parceira. Os alunos recebem auxílio de uma bolsa de Iniciação Científica Jr

Na primeira fase do PCE o professor tinha alguns alunos bolsistas e agora está com mais cinco jovens estudantes na segunda fase do seu projeto. Um dos bolsistas é Thiago Carmerindo, 16, deficiente auditivo. “Eu gosto muito dos esportes que eu pratico, salto em distância, tem corrida, tem futsal, eu gosto muito de praticar. E quando tem os jogos eu gosto muito de competir por conta da premiação, das medalhas”, declarou o aluno, por meio da linguagem de libras e traduzido pelo professor.

Jeas 2017

Carmerindo se preparou bastante e conseguiu representar muito bem a escola no 40º Jogos Escolares do Amazonas (Jeas-PCD). Segunda a professora Maria da Graças, ele ficou no segundo lugar no tênis, primeiro lugar 100m e 200m na corrida e também disputou no futebol, ficando no lugar mais alto do pódio com a equipe.

(Jornal de Humaitá, 18/08/2017)