Sempre assistimos a filmes com professores excepcionais, que fazem muito mais que seus papéis, e podemos pensar que isto é apenas ficção, mas não, Marcello Andriotti é um desses mestres que ensinam muito mais do que o que manda a Lei de Diretrizes e Bases, LDB, ou mesmo as Orientações Curriculares da Secretaria Municipal de Educação.

Multifacetado, Marcello é ator, produtor, caracterizador além de professor de artes da rede municipal do Rio de Janeiro. Leciona para mais de mil alunos do primeiro segmento (1º ao 5º ano) e da Educação de Jovens e Adultos, EJA. e se caracteriza para trabalhar os temas de suas aulas. Além da rotina na escola, em que trabalha 40 horas semanais, ele ainda fundou a ONG Favela Mundo há oito anos. A organização trabalha a mediação de conflitos com crianças e adolescentes através de expressões artísticas, como dança, balé e teatro. Seu trabalho frente a ONG já beneficiou mais de 4.500 crianças e jovens de 132 comunidades do Rio, Niterói e Baixada Fluminense. Atualmente seu trabalho se estendeu às famílias e promove oficinas de capacitação profissional para os pais e irmãos maiores dos alunos, envolvendo a família inteira em torno da educação e da cultura.

Nas aulas, sejam na escola ou nas datas comemorativas da Favela Mundo, Marcelo leva o lado lúdico para os pequenos de regiões periféricas: Na Olimpíada, ele trabalhou a influência dos diversos povos na formação cultural brasileira, se fantasiou de samurai e levou caracterizações para todos os seus alunos. A aula, além de desenvolver a cultura oriental trabalhou temas como respeito, escuta e atenção. Quando trabalhou a África levou roupas de diferentes povos africanos além de músicas de diversos povos do continente.

“A escola é o local ideal para vivenciarmos coisas novas, termos diferentes estímulos como conhecer músicas de outros países que influenciam (ou não) as nossas, danças, brincadeiras, jogos. O mais legal é que muitos pais acompanham as aulas espiando pelo portão e apoiam. Alguns falam ‘esse professor é maluquinho mas a criançada adora quando ele vem com essas aulas diferentes’. Prefiro que lembrem de mim como um professor maluquinho, o Tio Marcelo, do que como o professor chato que passava trabalhos que não serão lembrados”, acredita Marcelo Andriotti.

Em outra oportunidade, ele já foi fantasiado de Chapeleiro Maluco e uma colega, de Alice. Para trabalhar questões de reconhecimento e representatividade, a personagem principal da história era negra, com cabelos crespos. O tema, discutido durante algumas semanas, culminou no trabalho “Alice no Brasil das Maravilhas”, com envolvimento de toda a comunidade escolar. Segundo Marcelo, são ações como essa que transformam as escolas da Zona Oeste – as mais bem colocadas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, Ideb – e que fazem de suas aulas as mais concorridas. “Não é fácil, é comum voltar a pensar em desistir. Nem sempre é tão simples como parece, mas a alegria do olhar e o carinho com que me recebem na escola é o combustível para saber que estou plantando uma semente em cada um deles”, acredita.

“Tento transformar o ambiente escolar em algo mais acolhedor. Atualmente as crianças estão perdendo a capacidade de sonhar e a imaginação é uma das principais chaves para o aprendizado, O jogo lúdico é fundamental para o desenvolvimento do aluno. Nas aulas transformamos a sala de aula em nossos reinos, florestas, oceanos, espaço sideral, no que o conteúdo precisar e onde a nossa imaginação levar. As aulas ficam mais leves, mais divertidas e abre-se um espaço para que novos conhecimentos tenham lugar”, comenta.

Reconhecimento Internacional

Marcelo foi selecionado entre mais de 140mil inscritos de diversos países e participou do UNAOC Summer School, na ONU em Nova York, em 2013, onde teve debateu temas como inclusão social, racial e religiosa. Retornou como convidado à sede das Nações Unidas em 2014 e 2015. Representou o Brasil também no México, Marrocos, Cuba e Canadá.

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