O Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE) disponibilizou na segunda-feira, 29 de janeiro, em sua página oficial, o e-book “Memórias e narrativas das professoras travestis, mulheres trans e homens trans na educação”, organizado por Sayonara Nogueira e Andreia Laís Cantelli. O memorial conta ainda com um censo traçando o perfil de atuação de profissionais transgêneros na educação, realizado entre os meses de novembro de 2017 e janeiro de 2018. O acesso à obra é gratuito.

Fundado no dia 10 de outubro de 2017, o IBTE tem o objetivo de promover alianças e parcerias para erradicar a #Transfobia no ambiente escolar. À frente do projeto estão as professoras Fernanda Ribeiro Pereira, Rebecka de França, Julia Jorge de Oliveira, Andreia Laís Cantelli (presidenta) e Sayonara Nogueira, junto a colaboradores/as.

O Instituto foi originalmente idealizado pela professora Marina Reidel sob o nome de Rede Trans Educ – Rede de Professores Transexuais e Travestis do Brasil. Marina foi a primeira transexual a cursar o mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, defendendo sua dissertação em 2013.

A escola tem sido, historicamente, um ambiente de exclusão de sujeitos encarados como “diferentes” ou mesmo “anormais” e a discriminação afeta especialmente pessoas transgêneras, que sofrem opressão e violência de forma sistemática dentro das instituições educacionais, resultando em altos índices de evasão escolar. E não se trata de conscientizar apenas alunos, mas também profissionais que não são preparados para lidar com crianças trans e acabam por reforçar o preconceito por meio de atitudes e falas negativas.

Assim, o Instituto pretende trabalhar ativamente na formação de profissionais da educação para que saibam lidar com pessoas trans, respeitando suas identidades e se tornando referências para os jovens, que moldarão seu comportamento a partir do modelo oferecido por professores, diretores e demais funcionários da escola. Trata-se de uma iniciativa fundamental para se coibir a transfobia no âmbito da educação.

No site “Observatório Trans”, administrado por Sayonara Nogueira, que é também vice-presidenta da Instituição, é possível encontrar informações, planos de aula, artigos e pesquisas acadêmicas, além de um observatório da violência contra pessoas transgêneras, em que são contabilizados os casos de agressão e assassinato [VIDEO] da comunidade trans. Outro monitoramento feito pelo IBTE é o de ocorrências de bullying e desrespeito aos direitos de alunos trans nas escolas, sendo ainda comum o não tratamento pelo nome social e a exigência de usarem os banheiros de acordo com suas genitálias, e não segundo suas identidades.

É importante lembrar que o direito ao uso do banheiro adequado ao gênero e a adoção do nome social pelo menos no tratamento oral para com estudantes foi garantido em resolução publicada no Diário Oficial da União em março de 2015, assegurando também o uso do nome social em registros de boletins de ocorrência. Uma nova resolução, homologada em 17 de janeiro deste ano pelo MEC, autoriza o uso do nome social nos documentos escolares (nos quais, anteriormente, era requerido o nome civil). #Transgênero #LGBT

Fonte: Blasting News

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