Foto: Ragner Mousinho/Divulgação

A inquietação de dois garotos pode ter desenvolvido uma nova estratégia contra o crime em Itapissuma, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Durante as aulas do projeto Aluno presente na robótica, na Escola Municipal João Bento de Paiva, os meninos criaram um drone a partir de peças encaixáveis. A ideia inclui sensores de luz para buscas ao anoitecer e de som, para facilitar o trabalho de captura por parte da polícia. A iniciativa repercutiu em um estudo técnico, ainda em desenvolvimento, para adoção de drones para segurança na cidade. A previsão é de que até o próximo ano sete veículos aéreos não tripulados comecem a ser usados.

O drone foi criado pelos alunos Gabriel dos Santos, 12 anos, e Adriano Bandeira, 13, do sétimo ano do Ensino Fundamental. Eles começaram a ter aulas de robótica no ano passado, a partir de uma parceria municipal com a empresa pernambucana Dulino, e durante uma aula com temática livre sugeriram o desenvolvimento da peça. “Primeiro, pensamos em uma cadeira de rodas de tecnologia avançada, mas depois vimos que um drone poderia ajudar mais gente. Nem todas as investigações levam até onde você espera e, muitas vezes, os criminosos acabam escapando. O drone ajudaria a polícia a evitar que isso acontecesse”, disse Gabriel dos Santos.

Os meninos fizeram um protótipo durante os 100 minutos de aula e programaram as funções básicas para uso dos sensores. Com três motores, os estudantes simularam duas hélices e o movimento de andar para frente e para trás. Em tese, a peça teria autonomia para voar durante uma hora, mas na realidade isso ainda não é possível.

Todo caso, a iniciativa chamou atenção da Secretaria de Segurança do município, sobretudo pela justificativa sólida e as possibilidades de uso. “Precisaríamos aperfeiçoar pouca coisa. Os alunos pensaram em todas as variantes de atuação do drone. Com sensor de presença, câmera de curto e longo alcance, sensor infravermelho, bateria de longa duração e transmissão das imagens para as viaturas”, afirmou o secretário de Educação de Itapissuma, Jesanias Rodrigues.

O projeto também cumpriu uma das premissas das aulas de robótica, a solução de problemas da realidade dos estudantes e da cidade. “Os próprios alunos trouxeram a problemática da segurança e pensaram que o equipamento poderia ser usado também para identificar vítimas em incêndios e visualizar locais de difícil acesso”, afirmou o gerente de projetos da Dulino, Vinícius Raphael.

A prefeitura está fazendo um estudo de custo e viabilidade técnica de uso do equipamento, que seria usado primeiro em Itapissuma e depois expandido para os distritos de Mangabeira, Botafogo e Engenho Ubu.

A intenção é colocar os equipamentos para monitorar 24h, acompanhados sempre por uma viatura da guarda municipal. Quando o levantamento ficar pronto, será incorporado à Lei de Diretrizes Orçamentárias, para contemplar também a manutenção dos drones.

(Diário de Pernambuco)