Um viveiro foi construído para plantação de mudas. O replantio é feito em áreas do entorno da instituição

Você sabia que o cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e ocupa 22% do território brasileiro? Porém essa área está sendo destruída. O Centro-Oeste, por exemplo, registra desmatamento de cerca de 51% do bioma, de acordo com dados de 2018 do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Por esse motivo, os professores e os 84 alunos, na faixa etária de 4 e 12 anos, da Escola Classe Córrego do Meio, em Planaltina, executam trabalho de recuperação desse patrimônio natural. A escola criou um viveiro de mudas nativas do cerrado para o reflorestamento de áreas devastadas no entorno da instituição.

Durante essa etapa, os alunos e funcionários da escola fazem trilhas para colherem as sementes da vegetação desse bioma, que são plantadas de uma forma zelosa no viveiro, para depois serem replantadas no ambiente natural. Eles cavam, plantam, regam e cuidam. O estudante Paulo Cézar Silva, 9 anos, do 4º ano do ensino fundamental, não tinha conhecimento sobre o cerrado nem informações sobre como cuidar da natureza antes disso. “A sensação que eu tenho ao colocar a mão na terra é de que, se essas plantas e árvores sobreviverem, eu também sobreviverei! É importante preservar o meio ambiente se não, no futuro, não terá mais essa vegetação”, afirma. Um dos vegetais de que o menino mais gosta é o araticum, por causa do sabor do fruto, conhecido como marolo, pinha, entre outros.

O cuidado com a vegetação faz parte do currículo escolar e as atividades ocorrem no contraturno das aulas. Além de os estudantes conviverem em um ambiente rural, com árvores de pequeno ou médio porte retorcidas em volta, apreciam também espécies que foram plantadas por eles no viveiro há dois anos: ipê-roxo, ipê-amarelo, barbatimão, pequi, jatobá, entre outras. Outras foram replantadas no ambiente natural: copaíba, araticum etc. Eles também aprendem sobre a vegetação dentro da sala de aula nas tarefas, brincadeiras e cantorias. Para Laura Santana, 10 anos, aluna do 5 º ano, reconhece o valor de não desmatar as florestas. “É importante essa nossa atividade porque, no futuro, poderemos ver as árvores que plantamos.”

A colega de sala de Laura, Karollyne Gonçalves, 11, enfatiza que se continuarmos a jogar lixo, desmatar e destruir o cerrado, o bioma vai acabar. “O ideal é aprender sobre esse assunto e repassar o conhecimento para outras pessoas para que elas não façam mais isso.” Caio Xavier, 11, concorda com Karollyne: “Eu levo o que aprendi para meus pais e amigos para passarem essa preocupação adiante. Ah, é claro, eu adoro plantar e saber sobre o cerrado”. Alisson Ferreira, 9, aluno do 4º ano, destaca a importância de cuidar da natureza e conta que adora os ipês. “Eu amo essa árvore por causa das várias cores: roxo, rosa, amarelo e branco. São lindas! Temos que zelar e nos preocupar com a natureza. Caso contrário, vamos destruí-la”, diz.

Sobre o projeto

O projeto foi criado pela gestão da Escola Classe Córrego do Meio, em Planaltina (DF), e pelos grupos Ecomuseu Pedra Fundamental, uma comunidade ecológica, e o Caminhadas Brasília, grupo de praticantes de atividades ao ar livre. Os integrantes tiveram a iniciativa de criar o projeto voluntário Sementes do cerrado visando a preservação e a conscientização ambiental. A preocupação com o meio ambiente é tão grande que os professores fizeram cursos de viveiristas e visitaram alguns locais de plantação para entender melhor o assunto. “Trabalhar com o cerrado é mágico! Não tem uma sala de aula melhor que essa porque, além dos nossos conteúdos do currículo, nós trazemos o bioma como tema principal”, observa o professor responsável Robson de Paiva.

Segundo ele, a instituição aborda o bioma na construção da escrita e no processo de alfabetização. A reflorestação ocorre com a orientação de profissionais, como ambientalistas e historiadores, e ajuda de institutos ambientais voluntários, a exemplo do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater). “Não é um projeto sem embasamento científico. A gente faz tudo com um respaldo técnico, com instruções práticas e teóricas”, afirma Robson. O reaproveitamento de materiais virou rotina na plantação: caixinha de leite, latas, saco de lixo, restos de alimentos orgânicos para adubo… Tudo é aproveitado. E sem a utilização de agrotóxicos ou venenos!

A importância

A diretora da Escola Classe Córrego do Meio, Livia dos Reis, explica a importância do projeto. “A questão principal é a valorização do ambiente. As crianças estudam, conhecem o cerrado e aprendem que é necessário preservá-lo, é algo natural. A ideia é de que se estenda para a casa dos alunos e para outras pessoas que os ajudem nessa luta. Nossa escola é voltada para a sustentabilidade e o bioma”, afirma. O viveiro cedeu mudas para os responsáveis pelo projeto e para mais 15 escolas da região que desejam ajudar no reflorestamento. “A gente doa essas plantinhas para chacareiros e instituições de ensino que querem cuidar da região”, afirma.

Todos os serviços são prestados de forma gratuita. “Nosso projeto é feito por meio de voluntários e parcerias. A mantenedora financeira é a Interlife, uma empresa de assistência de saúde, e estamos agradecidos por esse auxílio”, aponta. Segundo ela, a construção do local da preservação se tornou realidade por meio de doações de materiais, como madeira, rede, terra, barbante etc.

O professor de educação ambiental da Universidade Brasília (UnB) Irineu Tamaio participa de vários projetos relacionados ao meio ambiente, inclusive o Sementes do cerrado. Ele enfatiza: “É uma ação pedagógica de estímulo, conhecimento e participação na proteção do ecossistema do cerrado. O reflorestamento contribui para o resgate da vegetação e a manutenção da biodiversidade na região. É mais uma forma de enfrentar o processo acelerado de extinção”, alerta. Segundo o mestrando em geociências, esse tipo de iniciativa ajuda a escola e os estudantes a fazerem educação ambiental de forma mais prática, sem perder a possibilidade de reflexão sobre o assunto.

A escola aceita doações ao longo do ano, de itens como:

* Brinquedos;
*Livros infantis novos e em bom estado de conservação (sem estar manchado e/ou rasgado);
* Alimentos não perecíveis;
* Materiais escolares ou kits pedagógicos (apontador de lápis, borracha, caderno de brochura, caderno de desenho, caderno quadriculado, caderno universitário, caixa de cola colorida, caixa de giz de cera, caixa de lápis de cor 12 cores grande, EVA, cartolina, entre outros).
*Saquinhos para plantio: pequeno, médio e grande;
*Materiais de limpeza (rodo, vassoura, luvas, entre outros).

Para mais informações: (61) 3500-2140

Anote!
Escola Classe Córrego do Meio
Endereço: BR 020 – Km 18, Chácara – Rural, DF, 73300-000
Horário de funcionamento: das 7h às 15h30, de segunda a sexta
Idade dos alunos: entre 4 e 12 anos
Período: integral e regular

O site do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) disponibiliza cartilhas sobre o cerrado. A ideia é informar sobre a flora e fauna desse bioma.

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