Desde 2017, o Centro de Ensino Fundamental 113 do Recanto das Emas (DF) inseriu no calendário escolar atividades que abordam o empoderamento feminino e o respeito às diferenças.

“Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, trouxemos especialistas para conversar com os alunos. A advogada Ludmila Rocha explicou a Lei Maria da Penha e como ela surgiu; a agente penitenciária Débora Cristina Barbosa alertou as jovens sobre a realidade do presídio feminino e a psicóloga master coach Samira Rahhal falou sobre amor próprio”, conta a diretora do CEF 113, Núbia Almeida.

Para abordar a questão da violência contra as mulheres, a professora Rúbia Estefânia Silva trabalhou em salas de aula a cartilha “Vamos Conversar?”, doada pela A Casa da Mulher Brasileira e a ONU Mulheres. “Também trabalhei um roteiro de pesquisa sobre a Lei Maria da Penha e realizei uma enquete sobre violência doméstica, que vai virar um gráfico pra saber a realidade da escola. Com a Revista Mátria, da CNTE, os alunos fizeram análises de alguns textos e, de forma anônima, relataram suas experiências com a violência familiar”.

Já a professora Líbia Oliveira Nascimento fez a dinâmica “Mais amor sem favor” para trabalhar a questão das ofensas e agressões. Ela pediu para que os alunos imaginassem uma mulher e pensassem no que eles diriam ou fariam para que esta mulher se sentisse ofendida.

“Coloquei os meninos para pensar: como seria o mundo se realmente tudo que a gente pensa a gente fizesse? E se eles fossem essa pessoa que querem ofender? Ter vontade não é crime, mas todo ato de violência começou com um pensamento. Saber conviver não é um favor, é uma necessidade. Quando você faz algo mal, está criando uma sociedade ruim que pode se virar contra você um dia. Depois de explicar tudo isso a eles, pedi para que pensassem coisas positivas para essa mulher que eles quiseram ofender e redigissem suas desculpas”.

Implantar essas atividades mudou o dia a dia da escola e o comportamento dos alunos. “As crianças desta comunidade são mais pobres e muitas delas acreditam que não tem condições de alcançarem um futuro melhor. Com esses trabalhos, podemos abrir as mentes desses alunos e mostrar quantas oportunidades eles podem ter. Hoje é possível perceber uma total mudança de comportamento e respeito entre eles e com os professores. Estão se mostrando muito mais interessados em debater e aprender”, conclui a diretora.

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