O ano de 2015 não foi fácil para o CEM 2, onde uma briga entre alunos acabou em morte. Apesar do trauma, 55 estudantes conquistaram a oportunidade de entrar na UnB. No total, 43% das vagas do PAS ficaram com a rede pública as cotas sociais representavam 37,5%.

O ano começou com notícia boa para alunos das escolas públicas do Distrito Federal, que conquistaram 861 vagas no Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS UnB), 43% do total. O aumento das cotas também contribuiu para a melhora do cenário. A porcentagem de oportunidades destinadas a esses estudantes chegou a 37,5%, em 2015. No ano anterior, 25% das vagas eram de cotas sociais e 33,5% alunos da rede pública ingressaram na universidade. Em 2016, a UnB vai destinar metade das vagas às escolas do governo.

O sucesso na avaliação foi a oportunidade para o Centro de Ensino Médio 2 de Ceilândia reescrever sua história. Após ser palco de uma briga entre alunos, que terminou em assassinato, no ano passado ( leia Memória ), a escola aprovou 55 alunos no PAS. Segundo o coordenador pedagógico, Wesley Xavier, o desempenho é uma conquista para o colégio, conhecido na região pelas aprovações na universidade.“Todo o nosso trabalho pedagógico para o ensino médio é voltado para as avaliações da UnB. Desenvolvemos projetos, saraus, aulões, tudo com base nas obras do PAS.”

Para Néliton Alves, 18 anos, calouro de artes cênicas, o resultado prova que o incidente de setembro não reflete aquilo que a escola tem para oferecer aos alunos, em especial os que tentam uma vaga na UnB. “Aquilo poderia ter acontecido em qualquer lugar. Não muda o fato de que o CEM 2 é uma escola muito boa, que prepara a gente muito bem”, afirma. O garoto é o dono da única vaga destinada às cotas sociais do curso escolhido. Ele concorreu com 12 outros estudantes, selecionados após prova de habilidade e conhecimentos específicos

A tragédia não afetou o desenvolvimento dos estudos de Luana Aparecida Machado, 18, aprovada em enfermagem. Ela conta que, além da própria dedicação e empenho, o esforço de professores em ajudar os alunos a superarem o acontecido foi importante para a conquista. “Eles diziam que a gente não devia se apegar àquilo. No começo, todo mundo ficou meio receoso de acontecer de novo, mas tentamos dar a volta por cima e conseguimos, tivemos muitos alunos aprovados”, comemora

Luana relata que comentários nas redes sociais comparavam a qualidade da escola ao CEM 9 de Ceilândia, outra instituição tradicional na cidade. “No momento em que passávamos pelo assassinato, eles colecionavam conquistas, tinham destaque nas olimpíadas de matemática e enviavam alunos para o exterior. A gente não se prendeu a isso,senão nunca chegaríamos a lugar algum. Temos que acreditar no nosso potencial, correr atrás dos nossos sonhos”, afirma. O CEM 9 teve 25 aprovados no PAS

Marcela Dálete, 16, escolheu cursar ciências ambientais e também elogia a forma como os professores, a coordenação e a direção reagiram ao acontecido e incentivaram os estudantes a se concentrarem nos estudos. “Esse foi um acontecimento à parte. A escola é muito tranquila, e os diretores e professores souberam lidar bem com a situação. Houve palestras, conversas e orientação, mas focamos nos estudos. O clima não prejudicou os projetos da escola”, declara. Xavier explica como a coordenação procedeu. “Fizemos dinâmicas com orientadores educacionais em sala de aula só para deixar claro que foi um fato isolado, que não era relevante para os estudos e não refletia a realidade do CEM 2.”

(Correio Braziliense, 19/01/2016)

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