Alunos escolhem um bonequinho para representar o sentimento do dia

Uma escola municipal da Serra, no Espírito Santo, criou um “emocionômetro”, uma espécie de termômetro para fazer com que as crianças consigam demonstrar seus sentimentos. Lá, elas dizem se estão felizes, tristes, com medo, assustadas ou com raiva.

A pedagoga da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho, em Cidade Continental, na Serra, Kamilla Almeida, explica que as crianças de 6 a 10 anos recebem um bonequinho com o seu nome e têm a liberdade de colocar no “emocionômetro” como ela se sente no dia. Após esse processo a professora responsável conversa com o aluno sobre o seu dia e os sentimentos.

Para a pedagoga a ação está ajudando as crianças a lidarem com as emoções. Além do mais, os professores passaram a entender o comportamento de algumas crianças e a discutí-lo em sala de aula, quando necessário. Um exemplo recente foi quando o gato de um aluno morreu, e a professora parou o conteúdo que tinha proposto para falar sobre os seres vivos e ciclo da vida.

“A ideia é descobrir se as crianças estão passando por algum tipo de problema, como perdas na família e bullying. Além disso, conseguimos trabalhar mais a oralidade e a timidez deles, estão mais abertos, falantes e se expressam mais”, afirma.

Aproximação

Segundo a diretora Rosilene Araújo, o “emocionômetro” começou em julho e faz parte do Projeto pedagógico “Valores Humanos”, da Prefeitura da Serra.

Ela explica que na atividade além de entender um pouco mais sobre as reações das crianças e adolescentes no dia a dia e tentar ajudá-los, criou-se também uma aproximação entre instituição e aluno.

“É durante o emocionômetro que as crianças relatam porque estão tristinhas em sala de aula, contam às dificuldades que elas estão passando. Isso facilitou o trabalho dos professores que começaram a entender que não é ‘pirraça’ ou ‘má vontade’ do alunos, mas, o nervosismo ou a tristeza que eles demonstravam em sala tem um motivo por trás”.

Rosilene explicou que chama mais atenção é o medo de alunos com problemas familiares, como o desemprego. “Há preocupações de adultos que não imaginávamos que iríamos ouvir de uma criança de oito anos. Muitos tem medo porque o pai está sem emprego, temem que alguma coisa pode faltar dentro de casa, como alimentação, calçado e roupa”, conclui.

A juíza da 2ª Vara da Infância e Juventude da Serra, Janete Pantaleão, conhece não só o “emocionômetro, mas todo o projeto pedagógico “Valores Humanos”, da Prefeitura da Serra, que tem o papel de trabalhar direitos humanos. Ela aprova o projeto.

“Cada escola vai fazendo as adaptações de acordo com o corpo docente e atividades dos alunos. Com o emocionômetro, por exemplo, a instituição não consegue resolver o problema, mas eles conseguem um espaço de relatar o problema. Esse desenvolvimento da inteligência emocional faz com que a sociedade seja mais saudável e feliz”.

Emocionômetro

Objetivo: Entender os sentimentos das crianças e tentar ajudá-las, criando uma aproximação entre instituição e aluno.

Como funciona: Crianças de 6 a 10 anos
Todos os dias antes do início da aula, crianças de 6 a 10 anos recebem um bonequinho com o seu nome e tem a liberdade de colocar no emocionômetro como ela se sente no dia.

Sentimentos:  São cinco tipos de sentimentos que as crianças podem escolher: feliz, triste, com medo, assustada ou com raiva.

Maior medo

A instituição explicou que chama a atenção é o medo de alunos com problemas familiares, como o desemprego.
Fonte: Rede Gazeta/ES

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