O município de Cuiabá foi selecionado como um dos finalistas do prêmio Medalha Paulo Freire, do Ministério da Educação. A Medalha foi criada para identificar, recohecer e estimular experiências educacionais que promovem política, programas e projetos cujas contribuições sejam relevantes para a Educação de Jovens e Adultos em todo o país.

Durante dois dias, (21 e 22), treze unidades educacionais foram avaliadas pela comissão do MEC, que foi liderada pela professora Edna Lopes do Nascimento. Ela analisou os trabalhos de mais de 100 alunos.

Ela explica que o prêmio não se trata de dinheiro, mas sim do reconhecimento das práticas exitosas educacionais e ressalta que Cuiabá tem um grande potencial para ser a vencedora. “Vocês [município] chegaram até aqui em meio a mais de cinquenta inscritos de todo o país. Já se sintam vitoriosos por estar aqui”, justificou.

A diretora de ensino da Secretaria Municipal de Educação (SME), Zileide dos Santos, avalia a classificação do município na Medalha Paulo Freire como um grande passo na vida dos educandos da Educação de Jovens e Adultos, uma vez que ele lhes dá credibilidade e valorização, condizendo com a visão humanizada da gestão da Cuiabá dos 300 anos.

“Para a Secretaria, é muito bom perceber que o trabalho está dando frutos, principalmente numa área que vinha passando por carências como a EJA. É muito bom ver a evolução dos nossos adultos estudantes”, frisou.

As avaliações aconteceram no Centro de convivência do Idoso (CCI) Aidee Pereira do Nascimento e na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Ranulpho Paes de Barros, no primeiro dia de programação.

Já no segundo dia pela tarde, representantes do Fórum da EJA, do Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica (CEFAPRO), do Serviço Social da Indústria (SESI), as Secretarias Municipal (SME) e Estadual de educação (SEDUC) e diretores e coordenadores de escolas participaram de uma roda de conversa, no prédio da SME para discutir questões inerentes à EJA.

Formação, financiamento, projetos de intervenção, perfil do professor de EJA e a inclusão foram alguns dos principais pontos debatidos nesse encontro, que teve como finalidade identificar e encontrar soluções para as dificuldades encontradas pela modalidade de educação de Jovens e Adultos nas redes municipal e estadual.

As experiências das escolas da área rural foram apresentadas na Escola Municipal de Educação Básica do Campo (EMEBC) Nova Esperança, ao final do segundo dia de visitas da equipe do MEC.

A diretora da unidade que também está competindo à premiação, Lairce Fonseca Robles, mostra sua satisfação ao perceber que os trabalhos tanto do profissional da educação quanto dos alunos do campo estão sendo valorizados.

“Para nós foi um prazer receber as equipes do MEC e da SME, e das demais escolas, por saber que estamos participando um prêmio tão importante como este. E isso mostra valorização do trabalho do professor e dos alunos e da EJA”, pontuou.

Perguntada sobre a experiência mais emocionante, ela não esconde sua comoção, dizendo “quando a gente trabalha com os adultos o resultado é sempre marcante, pelo cuidado e dedicação que eles apresentam é gratificante”.

Sob o tema: “Os educandos da EJA como agentes (trans)formadores nos 300 anos da história cuiabana”, o premio aborda assuntos como a formação do povo cuiabano, suas manifestações linguísticas, lendárias, artísticas e culturais; desafios econômicos: de arraial à metrópole de 300 anos; e as transformações do espaço geográfico e as questões de sustentabilidade socioambiental.

Em Cuiabá são mil jovens, adultos e idosos matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Outros 500 ainda serão atendidos, ainda este ano, com a execução do programa Brasil Alfabetizado.

(FolhaMax, 24/06/2017)