Inaugurada há dez anos, o CEM 804 do Recanto das Emas, foi planejado pensando no atendimento de alunos especiais. Rampas, banheiros adaptados, equipamentos de tecnologia assistiva e sala de recursos comprovam a acessibilidade. Devido ao grande número de pessoas com deficiência e com necessidades especiais – critério adotado para distribuição de lotes na região – a escola é hoje referência no Distrito Federal em Atendimento Educacional Especializado (AEE).

“A inclusão ultrapassa o conhecimento científico, a escola tem que ter a capacidade de executar o trabalho de acordo com a necessidade do estudante, trabalhar a formação e a conscientização dos professores e ter o suporte pedagógico necessário ao tipo de atendimento que cada um precisa receber”, comenta o vice-diretor da instituição Everton Rosa.

Equipadas com mobiliários, materiais didáticos e pedagógicos específicos, as salas de recursos contam com professores das três áreas do conhecimento – ciências humanas, ciências exatas e códigos e linguagens –, juntos eles garantem o auxílio necessário, para que os estudantes especiais não tenham nenhuma dificuldade para acompanhar as aulas regulares. O atendimento acontece uma vez por semana no contra turno. “Nós elaboramos e planejamos atividades específicas para esses alunos”, explica a professora Adriana Budal, uma das responsáveis pelo AEE na sala de recursos.

A inclusão só acontece de fato quando toda a comunidade escolar participa do processo. Para isso, professores e alunos contribuem de diversas maneiras para que a escola seja cada vez mais inclusiva. “A gente faz todo um estudo para saber qual a faixa etária que eles estão, se a dificuldade é cognitiva eu procuro adequar a leitura. Quando eles entram aqui eu foco neles, o atendimento é totalmente de acordo com as necessidades deles”, comenta a bibliotecária Inalda Henrique.

Acolhimento e solidariedade são atitudes que fazem parte do cotidiano dos estudantes da instituição. Pequenos gestos como empurrar uma cadeira de rodas, ou até mesmo pegar um colega nos braços mostram o quanto a deficiência é algo encarado com naturalidade.

A rede pública de ensino do Distrito Federal é referência no país em atendimento educacional especializado. Pais de alunos com necessidades especiais tem dado preferência as escolas públicas. As instituições de ensino privado, embora sejam obrigadas a ofertar vagas, ainda dificultam a matrícula de alunos especiais. “Quando meu filho ia fazer a quinta série, fui matricula-lo em um colégio particular. Eles não o aceitaram. Disseram que seria um trabalho muito grande, que teriam que dispor de uma monitora exclusivamente para ele”, relembra Raquel Sampaio, mãe do estudante Henry Barroso, portador de Ataxia Espinocerebelar – doença degenerativa que ataca uma parte do cérebro e a coluna espinhal causando atrofia dos órgãos e músculos do corpo. “Depois desse episódio, encontrei um outro colégio. Este, da rede pública. Ainda enfrentei resistência por parte da direção, mas consegui a vaga. A escola era preparada para recebe-lo. Possuía salas amplas, rampas e banheiros adaptados”, conclui. Este ano, Henry conclui um ensino médio. No que depender dele, os estudos ainda continuarão. Ele faz planos de cursar medicina, fez o PAS-UnB durante o ensino médio e está se preparando para fazer o ENEM.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, estabelece que a educação especial seja oferecida preferencialmente em escolas públicas. O objetivo é possibilitar ao estudante público, alvo da Educação Especial, a oportunidade de convivência com os demais estudantes no ambiente escolar que lhe ofereça melhor possibilidade de desenvolvimento. “A lei faz essa garantia em todos os sentidos. A lei garante as adequações físicas, de conteúdo e de currículo para atender esses estudantes. As instituições privadas, também tem essa obrigatoriedade de adequação e de oferta de ensino com qualidade para o público alvo da Educação Especial”, explica Luciana D`Raldinne, Coordenadora Intermediária de Educação Especial da SEDF.

(Portal Bem + Brasília, 19/10/2017)